Uruguai: “A rastreabilidade abriu mercados e valorizou o gado”

25 de agosto de 2020 0 Por Inovacode

25 de agosto 2020 – El País Digital, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

O Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) do Uruguai pensa em realizar alguns testes com novos dispositivos de controle eletrônico por satélite, que possam ser aplicados na pecuária, aumentando a rastreabilidade obrigatória, para ver seus benefícios e como funcionam em nível de campo . A informação foi confirmada pelo diretor do Sistema Nacional de Identificação Pecuária (SNIG), Gabriel Osorio.

No âmbito do Congresso Anual da Federação Rural, as diferentes Sociedades Federadas destacaram entre as apresentações a necessidade de aproveitar melhor a rastreabilidade e incorporar, no futuro, novas tecnologias que proporcionem outras possibilidades ao produtor. A verdade é que para incorporar novas tecnologias, ainda que com custos mais elevados, é preciso resolver problemas básicos, como a conectividade.

“Os identificadores eletrônicos que garantem a rastreabilidade que temos hoje são o que nos dá maior segurança a um custo mínimo”, garantiu o diretor do SNIG.

Osorio lembrou que os aparelhos usados ​​hoje “têm um custo muito econômico que o Estado está pagando” e disse que daqui para frente, “começaremos a ver outro tipo de tecnologia, com outros benefícios”.

Ele considerou que a segurança “pode ser aumentada com os identificadores que hoje se utilizam e com uma maior pressão dos comandos. O controle é muito importante ”, frisou.

É que a própria rastreabilidade é baseada em um sistema de controles rígidos, “quem não acreditar nisso não terá um bom sistema de rastreabilidade”, frisou Osório.

De acordo com sua visão, deve haver uma boa regulamentação, um bom controle e um bom sistema de extensão aos produtores que o administram. “Esses são os principais pilares do sistema e isso (o SNIG) tem”, alertou Osório.

Tecnologia

Sobre as novas tecnologias, Osório explicou que estão sendo realizadas reuniões permanentes com o ministro Uriarte, “analisando os novos dispositivos que estão surgindo. Procuramos analisar todas as novas alternativas, nada pode ser deixado de lado ”, mas em alguns casos também exigem uma mudança de regulamentação e tecnologia.

“Se for revisado o Decreto nº 300/019, que marca o tipo de aparelho eletrônico a ser utilizado, fala-se em RFID (o brinco visual será colocado na orelha esquerda do animal e o aparelho RFID, se externo , na orelha direita). A tecnologia teria que ser trocada, “o que não significa que, paralelamente, os produtores que quiserem ter algum outro tipo de tecnologia também possam utilizá-la, desde que não seja incompatível”, admitiu Osorio.

Melhorias

O Uruguai é o único país do mundo que possui rastreabilidade obrigatória em todo o seu rebanho bovino. Como todo sistema, é perfectível, mas hoje é observado por outros países que querem adaptá-lo às suas realidades e abriu muitas portas para a pecuária uruguaia, inclusive comercialmente.

“Vejo a rastreabilidade como uma ferramenta para agregar gradativamente outras informações que auxiliem ou facilitem uma melhor tomada de decisão”, disse o diretor do SNIG.

A meta das autoridades é, futuramente, aumentar a intensidade do trabalho nas questões de saúde e qualidade da carne, aproveitando todas as informações geradas pelo sistema. “Abre-se a possibilidade de confrontar as informações geradas pelo SNIG com as quais surgem através do Sistema de Cajas Negras instalado nos frigoríficos”, explica Osório. Dessa forma, será possível ter informações muito mais avançadas que favorecerão uma melhor tomada de decisão, mas, ao mesmo tempo, o uso desses dados deve se transformar em uma ferramenta para desenvolver políticas públicas com certa precisão.

“Hoje operamos um sistema que está relacionado ao Sistema de Informação Geográfica, podemos saber a carga real, como se comporta uma determinada região do país, que outra atividade pode ser desenvolvida, para onde se movimentam mais bezerros, onde está o bezerro, para onde existem mais raças com determinadas características”, acrescentou o diretor do SNIG.

Segundo sua análise, talvez com essas informações “muitas coisas que incorporamos possam ser desmistificadas. Podemos ir muito mais longe com informações precisas. Não estamos longe de poder dar esses passos”, disse Osorio. O objetivo das autoridades é pisar no acelerador na análise dos dados que estão sendo gerados.

Carnes

Sem ignorar o grande avanço na qualidade da carne que o Uruguai alcançou, Osorio considerou que pode-se alcançar mais aproveitando melhor a informação que se gera a cada ano através do portal SNIG.

Nos últimos 12 anos houve um crescimento significativo do Angus, seguindo uma tendência mundial e paralelamente o Hereford continua crescendo. Ambos são a base da produção de carne uruguaia, com qualidade assegurada pela genética de raças britânicas, que por sua vez, se espalha para o rebanho em geral por meio de cruzamentos. Isso gera homogeneidade e alta qualidade do produto que o mundo reconhece e, em alguns casos, paga mais.

O diretor do SNIG estimou que o teto do registro dos bezerros Angus e Hereford ainda não foi atingido. “Se olharmos o que era há 10 anos e compararmos com hoje, temos feito grandes avanços na qualidade da carne”, admitiu Osorio. Como exemplo, ele colocou gado destinado à cota 481, a cota de alta qualidade para gado terminado com grãos nos últimos 100 dias anteriores ao abate.

“Vivenciei essa mudança desde o início, já que a cota tinha outro número (cota 461), que foi travada em videoconferência com autoridades da União Europeia. Tudo foi resolvido graças à rastreabilidade ”, detalhou. Ele considerou que isso “foi esquecido” e exortou os produtores a lembrar quanto “valia o gado quando terminaram os surtos de febre aftosa (2001) e quando tivemos que nos comprometer a ter um sistema de rastreabilidade em 2004, quando foi decidido que essa rastreabilidade era o futuro, porque as auditorias que vinham de fora eram extremamente difíceis. Eles estavam nos matando ”.

Naquela época, como lembrou Osorio, o Uruguai mostrou seu sistema de marcas que “hoje nos garante a propriedade, mas não garante a rastreabilidade. Tudo o que evoluiu o sistema de 2003 até agora tem uma cota de preços separada. Há uma evolução importante de preços ”, comentou Osorio. Em uma palavra, a rastreabilidade tornava o gado valioso.

Por sua vez, ele reconheceu que os mercados para a carne e animais vivos do Uruguai melhoraram. “Hoje temos a rastreabilidade que nos diferencia no mundo”, destacou Osorio.